terça-feira, 22 de junho de 2010

Sustentabilidade nas Cidades













Ex Governador do Paraná e Ex Prefeito de Curitiba, o Arquiteto e Conselheiro do movimento Planeta Sustentável Jaime Lerner ensina como se faz uma metrópole com mais qualidade de vida.



Porque o senhor acredita que a cidade não é problema, mas solução?

Porque qualquer cidade - em qualquer parte do mundo - pode melhorar sua qualidade de vida em menos de 3 anos. Isso é possível porque nem sempre a resposta vem com dinheiro público, mas com ações coletivas. É importante ter decisão poítica, mais é fundamental a visão estratégica para promover uma mudança e fazer com que todas as forças da comunidade atuem a favor.


Quais os principais problemas das grandes cidades atuais?

São vários,mais três dele são essenciais às próprias cidades e a humanidade: a mobilidade, a sustentabilidade e a diversidade social. Se as cidades resolverem bem esses três quesitos, estarão no caminho certo.


Qual a contribuição da Arquitetura para a sustentabilidade de uma cidade?

É a de propor sempre uma cidade melhor e uma responsabilidade coletiva. Na cabeça de um arquiteto, sempre haverá uma boa ideia para a sua cidade. E precisamos aproveitá-la.


Existe uma fórmula para resolver o problema da mobilidade em uma cidade grande?

O segredo é utilizar todos os meios de transporte - metrô, ônibus, trem - sem jamais fazê-los competir uns com os outros. Ao contrário, um deve alimentar o outro.


O senhor é contra o automóvel?

Sou contra o uso errado dele. Brinco dizendo que o automóvel é como uma sogra mecânica. Temos que ter boas relações com essa sogra, mais não podemos deixar que ela comande a nossa vida. Se a única mulher da sua vida é a sua sogra, você tem um grande problema.


Então o automóvel pode fazer parte de um sistema ideal de transporte?

Sim, temos que fazer o uso deles, mas de uma forma semelhante ao uso das bicicletas em Paris, ou seja, como auxiliares do sistema de transporte público.


Que bom exemplo Curitiba tem a dar?

Certamente foi a implantação pioneira, em 1974, do BRT (Bus Rapid Transit), o sistema de transporte coletivo em corredores exclusivos com pagamento antecipado de passagem. Hoje, 80 cidades em vários países já implantaram esse sistema. Curitiba acaba de ganhar o prêmio Globe Award Sustainable City 2010, oferecido por uma entidade sueca de empreendedores sustentáveis.


Onde mais o cidadão das metrópoles pode contribuir para uma cidade sustentável?

Primeiro: usar menos o carro. Segundo: morar mais perto do trabalho. Terceiro: entender que a sustentabilidade é uma equaçao entre o que se poupa e o que se desperdiça.


Promover inovação e sustentabilidade numa cidade sai caro?

Ideias simples e baratas são as que trazem inovação. Inovar é, sobretudo, colocar a ideia em prática mais rápido possível para provocar a mudança. A criatividade vem quando se corta um zero do orçamento, mais a sustentabilidade é quando se corta dois zeros.



Entrevista feita pelo site PLANETA SUSTENTÁVEL e publicada pela revista ARQUITETURA E CONSTRUÇÃO JUN-10.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Acessibilidade no Transporte Coletivo

Em Curitiba, o respeito às pessoas com deficiência é valor fundamental no planejamento e operação do transporte coletivo.
A Prefeitura de Curitiba e a URBS mantêm a única rede de transporte público do Brasil exclusiva para os estudantes com necessidades especiais. O Sistema de Transporte do Ensino Especial (Sites) atende a três escolas municipais e 34 centros de ensino especializados conveniados com a Prefeitura, levando diariamente 2.200 alunos, a maioria deles até 15 anos. São 43 linhas de ônibus e um terminal exclusivo, no Alto da XV.
Todos os 1,8 mil ônibus da RIT têm espaço interno para os passageiros especiais, com um mínimo de 20% dos bancos reservados para deficientes, idosos e gestantes. Cerca de 65% da frota do transporte coletivo tem acessibilidade total, com elevadores e rampas de acesso (no caso dos biarticulados e ligeirinhos, que têm embarque em nível nos terminais e nas estações-tubo).
Das 395 linhas da RIT, 316 linhas já têm ônibus com adaptação para pessoas com deficiência. Nas linhas de biarticulados e ligeirinhos, todos os veículos têm acesso pelas rampas. Nas demais linhas, para facilitar a identificação à distância dos carros adaptados, foram colocados adesivos azuis com a logomarca da cadeira de rodas, nos lados, na frente e atrás do veículo. As tabelas de horários dos ônibus, disponíveis nos terminais, no portal da URBS, os horários dos carros adaptados estão em destaque.

Preocupação com o Meio Ambiente

A qualidade do ar é uma das grandes preocupações do mundo atual e um dos principais componentes da qualidade de vida do cidadão, uma vez que a emissão de poluentes na camada atmosférica pode provocar danos não só à saúde, mas prejudicar a sustentabilidade do planeta. Neste sentido, qualquer ação que tenha como objetivo diminuir os impactos sobre a qualidade do ar é de grande importância para a cidade.
A atuação da URBS junto às empresas operadoras, nas vistoria da manutenção preventiva e regulagem correta dos veículos, trouxe benefícios com a redução de emissão de poluentes na ordem de 11,2 % em relação ao ano anterior. Esta constatação foi obtida a partir da realização de testes de fumaça realizados em 682 veículos, de uma frota total de 1874 veículos, durante o ano de 2005. Desde 1995, a URBS vem sendo pioneira no uso de combustíveis alternativos menos poluentes que o diesel.

Beneficíos

• Redução das emissões atmosféricas (Material particulado, fuligem e gases nitrogenados);
• Melhoria do inventário brasileiro de emissões de CO2 e de gases de efeito estufa;
• Redução das importações de petróleo(diesel);
• Desenvolvimento de tecnologias associadas à produção do álcool combustível e ao óleo de soja.

Evolução Transporte 1974 a 2000


Evolução Ônibus 1974 a 1980


Novo Corredor de Integração Metropolitana


Infraestrutura Básica de Transporte 1999


Embarque de Nível




Composição da Frota




Terminais de Transporte Coletivo






Permitem a integração entre as diversas linhas que formam a Rede Integrada de Transporte (expressas, interbairros, alimentadoras e diretas);

Possibilitam a implantação de linhas alimentadoras mais curtas, com melhor atendimento aos bairros, porque aumenta o número de viagens com a diminuição do tempo de viagem;

A concentração de demanda facilita a substituição de modal nos corredores;

Estruturam os bairros, com a concentração de atividades diversas.

Estrutura Básica de Transporte


Corredores Exclusivos



O sistema de transporte público de Curitiba é referencia Congresso Mundial sobre Mobilidade Urbana, na Alemanha. O presidente da URBS, Paulo Schmidt, apresentará o projeto de evolução dos corredores exclusivos, com o desalinhamento das estações-tubo e a possibilidade de ultrapassagem dos ônibus nas canaletas, o que permitirá a criação das linhas de ligeirões nos corredores exclusivos dos biarticulados. Além do mais, aspectos sociais do transporte, como a redução da tarifa e a criação da "tarifa domingueira", que garante o lazer e o convívio social das famílias mais carentes da cidade também será abordado.
Rodando nos corredores exclusivos, sem dividir espaço com os carros particulares, os veículos do transporte coletivo podem ser maiores e mais rápidos, servindo como meio de transporte de alta capacidade. Esse conceito, nascido e criado em Curitiba na década de 70, foi copiado mundo afora, como na Cidade do México, Seul (Coréia do Sul), Hanói (Vietnã), Portland (EUA) e em várias cidades da Colômbia, como Bogotá, Cali, Medellín, Cartagena, Manisales, Barranquilla e Pereira.
A construção dos corredores exclusivos em Curitiba fazia parte de um projeto urbano que integrava o transporte coletivo ao sistema viário e ao uso do solo. O trajeto dos ônibus foi planejado para servir de indutor do crescimento econômico e demográfico da cidade. Por isso foram projetados cinco grandes eixos, partindo do centro nas direções norte, sul, leste, oeste e Boqueirão (um dos bairros mais populosos e desenvolvidos da cidade).
Ao longo desses eixos, foram construídos sistemas trinários formados por três avenidas paralelas. Na avenida central, fica a canaleta exclusiva dos ônibus, ladeada por duas pistas para tráfego local de carros, uma no sentido centro-bairro e outra no bairro-centro. Em paralelo à avenida do transporte coletivo, outras duas avenidas para automóveis, uma no sentido centro-bairro, outra no bairro-centro. O sistema funciona assim até hoje.
Curitiba é a cidade brasileira com maior extensão de corredores exclusivos. São 72 km de canaletas, por onde circulam os ônibus biarticulados. Com a implantação do sexto corredor de transporte na cidade, a Linha Verde, a extensão aumentará para 90 km.

Esquema da Rede Integrada de Transporte




Principais Caracteristcas:


Integração com o uso do solo e sistema viário, configurando uma cidade com crescimento linear;


Ampla acessibilidade com o pagamento de uma única tarifa;


Prioridade do transporte coletivo sobre o individual;


Caracterização tronco/alimentador;


Terminais de integração fechados;


72Km de canaletas, vias ou faixas exclusivas, caracterizando corredores de transporte;


Terminais fora dos eixos principais ampliam a integração.

Ciclovia


O espaço para andar de bicicleta em Curitiba mais que dobrou desde 2005. Neste período, a Prefeitura de Curitiba construiu 130 quilômetros de trechos de calçadas em asfalto, que permitem o tráfego de ciclistas e pedestres. Somados aos 120 quilômetros de ciclovias da cidade, as novas calçadas garantem um total 250 quilômetros de área de circulação para bicicletas em Curitiba.
Cerca de 25% das bases das pistas de ciclovias compartilhadas são construídas com material reaproveitado das obras de pavimentação feitas na cidade. No reaproveitamento, a Secretaria Municipal de Obras Públicas usa apenas os materiais que atendem aos parâmetros da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
A ampliação da malha cicloviária também acontece com a Linha Verde, onde estão em construção 10 quilômetros de ciclovia. Em breve começará também a ciclofaixa, uma faixa especial para o tráfego de bicicletas e veículos na avenida Marechal Floriano Peixoto, entre o terminal do Boqueirão e a Linha Verde. A ciclovia da Linha Verde terá 10 quilômetros de extensão e largura média de 2,5 metros, considerada excelente por Isidoro, que diariamente passa de bicicleta pelo meio das obras, no bairro Fanny

Malha Urbana


Acessos Principais


Linha Verde e o Cenário Tendencial de Mudança do Centro de Adensamento


Sistema Viário Hierarquizado no Plnao Diretor de Curitiba de 1966


Mapa Viário de 2007




Anel Central de Tráfego Lento


Malha Viária de 1993


Sistema Viário



Uma das bases do planejamento, junto com Transporte e Uso do Solo, o Sistema Viário de Curitiba foi definido no Plano Diretor de Curitiba, em 1966: desenvolvimento da cidade no sentido nordeste-sudoeste e linearidade da expansão ao longo de eixos estruturais.
Curitiba apresentava problemas de circulação e transporte crescentes: O crescimento radial concêntrico, espontâneo, ocasionou ocupação de áreas inadequadas, sem infra-estrutura. Os serviços localizados quase que exclusivamente no Centro tradicional provocavam congestionamentos. A ausência de vias de ligação entre os bairros obrigava os curitibanos a cruzar a área central para os deslocamentos.
O planejamento do sistema viário foi concebido com o objetivo de conciliar a cidade do automóvel às necessidades, aspirações e perspectivas humanas, dentro de uma visão global e integrada, dos problemas de mobilidade. Respeitando a malha viária existente, foram criadas alternativas de ligações independentes da área central.
O Centro tradicional foi circundado por um Anel Central de tráfego lento, que protege as áreas de uso exclusivo de pedestres.
A rua principal da Cidade e outras dentro do Anel Central foram fechadas ao tráfego de veículos, tornando-se ponto de encontro da população, como a Rua XV de Novembro - o calçadão.
O sistema viário foi hierarquizado. A estrutural induziu o crescimento linear da cidade e garantiu o espaço necessário ao transporte de massa, que opera em canaletas exclusivas. Os antigos caminhos foram preservados como Vias de Penetração.
Como recebiam menos tráfego, as vias locais foram projetadas para receber calçadas largas, o que deu oportunidade para a implantação de programas de arborização.